SÍNDROME ANTIFOSFOLÍPEDE NO JOELHO

SÍNDROME ANTIFOSFOLÍPEDE NO JOELHO

Síndrome antifosfolípede no joelho é uma condição médica autoimune que pode provocar infartos ósseos na articulação. A síndrome antifosfolípede ( SAF ), popuparmente conhecida como a “síndrome do sangue grosso”, é uma doença autoimune caracterizada pela produção de anticorpos que atacam as proteínas do próprio sangue, aumentando significativamente o risco de tromboses venosas e arteriais. Embora o foco clínico da SAF costume ser a prevenção de acidentes vasculares cerebrais ( AVCs ), infartos ou complicações gestacionais, o sistema musculoesquelético – especificamente o joelho – pode ser um alvo silencioso e devastador dessa patologia.

SÍNDROME ANTIFOSFOLÍPEDE NO JOELHO

A síndrome antifosfolípede ( SAF ) ocorre quando o sistema imunológico cria anticorpos, como o anticoagulante lúpico ou a anticardiolipina, que interferem na coagulação normal do sangue. Isso gera um estado de hipercoagulabilidade. No contexto ortopédico, essa tendência ao sangue mais viscoso pode comprometer a microcirculação que irriga os ossos e tecidos moles das articulações. O joelho é a maior e mais complexa articulação do corpo humano, exigindo um suprimento sanguíneo preciso para manter a vitalidade de todas as estruturas que formam a articulação. A síndrome antifosfolípede pode se manifestar no joelho de 3 formas distintas: osteonecrose, artrite e trombose venosa profunda ( TVP ).

OSTEONECROSE NO JOELHO

A osteonecrose no joelho, também conhecida como necrose avascular, é uma complicação grave em pacientes com SAF. Devido à formação de microtrombos ( pequenos coágulos ) nos vasos sanguíneos que alimentam a extremidade distal do fêmur, a patela e a extremidade proximal da tíbia, o osso deixa de receber oxigênio e nutrientes e morre ( infarto ósseo ). Com o tempo, se a osteonecrose não for diagnosticada e tratada, o osso colapsa, levando a uma dor intensa e à destruição da articulação, resultando em artrose secundária severa.

ARTRITE NO JOELHO

A inflamação da membrana sinovial ( sinovite ) é comum em pacientes com SAF. Frequentemente a SAF coexiste com o lúpus eritematoso sistêmico. A sinovite pode causar inchaço ( derrame articular ), calor local e rigidez no joelho.

TROMBOSE VENOSA PROFUNDA

A SAF é um dos principais fatores de risco para a TVP. Muitas vezes, uma dor súbita atrás do joelho ou na panturrilha, acompanhada de inchaço e vermelhidão, pode não ser um problema ortopédico, mas sim um coágulo que bloqueia a circulação venosa.

SINTOMAS DE ALERTA

Pacientes diagnosticados com SAF ou que possuem histórico de abortos de repetição e tromboses devem estar atentos aos seguintes sinais no joelho: dor profunda, inchaço persistente, limitação dos movimentos e estalos dolorosos. A dor piora ao sustentar peso ou durante a noite.

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico de SAF no joelho exige uma abordagem multidisciplinar que envolve o ortopedista especialista em joelho, o reumatologista e o hematologista. Exames de sangue para confirmar a presença de anticorpos antifosfolípedes, ressonância magnética do joelho, cintilografia óssea e eco doppler dos membros inferiores são os exames solicitados para diagnosticar a síndrome antifosfolípede no joelho.

TRATAMENTO

O tratamento da SAF no joelho foca em duas frentes: controlar a coagulação e preservar a articulação. Medicamentos anticoagulantes, retirada de carga do joelho, subcondroplastia, fisioterapia e artroplastia são os tratamentos indicados, dependendo da extensão do comprometimento no joelho. A detecção e o tratamento precoce da doença são fundamentais para preservar a articulação. Pacientes com diagnóstico de síndrome antifosfolípede precisam de um protocolo rigoroso de profilaxia antitrombótica quando passam por cirurgia no joelho, pois o risco de complicações pós-operatórias é mais elevado.