
PROTOCOLO DE LYON
Protocolo de Lyon é um guia padronizado de regras usado pelos ortopedistas para diagnosticar e tratar a instabilidade da patela do joelho. Patela é o osso móvel localizado na frente do joelho. Instabilidade patelar é a condição clínica que acontece quando a patela, por diversos motivos, não se mantém encaixada na tróclea femoral, que é o sulco no fêmur distal que serve como trilho para a patela deslizar durante os movimentos de dobrar e esticar o joelho. Dor na frente do joelho, sensação de que a patela vai sair do lugar e deslocamento da patela são queixas frequentes de pacientes com instabilidade patelar, frequentemente jovens e/ou atletas. O Protocolo de Lyon é sinônimo de segurança e previsibilidade porque trata as causas reais da instabilidade patelar.
PROTOCOLO DE LYON
O Protocolo de Lyon foi desenvolvido pela renomada Escola de Lyon, na França, liderada pelos doutores Henri Dejour e David Dejour, para diagnosticar e tratar a instabilidade patelar. O protocolo parte do princípio que a instabilidade da patela não é uma doença única, mas o resultado de várias alterações anatômicas combinadas. Essa constatação é importante porque o médico ortopedista precisa primeiro identificar exatamente quais são os defeitos anatômicos que o paciente possui no joelho para que seja corrigido cirurgicamente apenas o que é necessário.
INSTABILIDADE DA PATELA
A instabilidade patelar acontece quando a patela não se mantém devidamente encaixada na tróclea femoral durante os movimentos de dobrar e esticar o joelho. A instabilidade patelar pode se manifestar de 3 formas diferentes: subluxação patelar, luxação patelar aguda e luxação patelar recidivante. A subluxação patelar acontece quando a patela sai parcialmente da tróclea. O paciente sente um estalo e/ou a sensação de que o joelho falhou. A luxação patelar aguda acontece quando a patela sai totalmente para fora da tróclea. Isso causa dor intensa, inchaço imediato e, muitas vezes, se a patela não voltar para o lugar sozinha, o paciente precisa ir ao hospital para reduzir a luxação. A luxação patelar recidivante é a instabilidade crônica da patela, caracterizada pela saída frequente da patela da tróclea.

FATORES DE INSTABILIDADE DA PATELA
Fatores de instabilidade da patela, também conhecidos como fatores de Dejour, são os 4 principais fatores que o médico especialista precisa analisar quando aplica o Protocolo de Lyon. Esses 4 fatores determinam por que a patela do paciente não está deslizando corretamente na tróclea femoral. Os 4 fatores são: displasia da tróclea femoral, patela alta, lateralização da TAT ( tuberosidade anterior da tíbia ) e inclinação patelar.
DISPLASIA DA TRÓCLEA FEMORAL
A tróclea femoral é o sulco na região anterior do fêmur distal, entre os côndilos femorais, onde a patela se encaixa. Em alguns pacientes a tróclea femoral é pouco funda, plana ou até convexa. Sem um sulco profundo, a patela tende a escapar para fora da tróclea femoral durante os movimentos do joelho. Uma tróclea displásica significa que o sulco troclear é raso. Isso faz com que a patela fique instável e predisposta a sair do lugar ou luxar. A displasia da tróclea femoral é uma das principais causas de luxação patelar.

PATELA ALTA
Patela alta é a condição onde a patela está posicionada acima do normal. Isso faz com que a patela demore mais para entrar no sulco femoral durante o movimento de dobrar o joelho. Nesse intervalo, a patela fica solta e vulnerável a deslocamentos. A patela, quando numa posição mais alta, se articula com a tróclea femoral na sua região mais rasa, onde as paredes do sulco troclear não são altas o suficiente para impedir a sua luxação.

LATERALIZAÇÃO DA TAT
A tuberosidade anterior da tíbia ( TAT ) é o ponto anatômico na tíbia onde o tendão patelar se insere. Quando a TAT é muito lateralizada, o tendão patelar cria um vetor de força que puxa a patela lateralmente quando o joelho é dobrado.
INCLINAÇÃO PATELAR
A inclinação patelar, ou báscula da patela, acontece quando ela está inclinada lateralmente mais do que o normal. Isso ocorre geralmente devido ao encurtamento e espessamento do retináculo lateral da patela. A inclinação patelar lateral excessiva predispõe a patela a sair da tróclea e aumenta também a pressão no compartimento lateral da articulação patelofemoral, que é uma das causas comuns de artrose patelofemoral.

DIAGNÓSTICO
O Protocolo de Lyon preconiza que os 4 fatores de instabilidade da patela ( displasia da tróclea, patela alta, lateralização da TAT e inclinação patelar ) devem ser identificados com precisão nos exames de imagem da articulação do joelho. RX, tomografia computadorizada e ressonância magnética são os exames de imagem que o médico especialista solicita para o paciente com sintomas de instabilidade patelar. Na tomografia computadorizada do joelho, utilizando o Protocolo de Lyon, é possível analisar ângulos e medidas específicas para determinar as alterações anatômicas que contribuem para a instabilidade patelar.
TOMOGRAFIA DO JOELHO COM PROTOCOLO DE LYON
A tomografia computadorizada do joelho com o Protocolo de Lyon é o melhor exame para mapear a anatomia da articulação e entender por que a patela está instável. O exame de tomografia é superior nesses casos porque na tomografia é possível fazer medições ósseas muito precisas. Os principais ângulos e medidas identificados na tomografia computadorizada do joelho com Protocolo de Lyon são os fatores de Dejour, ou seja, os fatores de instabilidade da patela. Numa tomografia normal do joelho, a tróclea femoral deve ser profunda o suficiente para segurar a patela ( concavidade do sulco menor do que 145˚ ), o índice de Caton-Deschamps para a altura da patela não deve ser superior a 1,2 , a medida TA-GT não deve ser superior a 15 mm e a inclinação lateral da patela não deve ser maior do que 20˚.
CIRURGIA
Alguns casos de instabilidade patelar podem precisar de tratamento cirúrgico. O planejamento dos procedimentos cirúrgicos depende das alterações identificadas nos 4 fatores de instabilidade da patela medidas na tomografia computadorizada do joelho com o Protocolo de Lyon. O plano cirúrgico pode incluir trocleoplastia, osteotomia da TAT, liberação do retináculo patelar lateral e reconstrução do ligamento patelofemoral medial ( LPFM ).