
MEDICAMENTOS CONDROTÓXICOS PARA O JOELHO
Medicamentos condrotóxicos para o joelho são fármacos que podem ter efeitos colaterais deletérios para as células da cartilagem. Quando pensamos na saúde do joelho, logo associamos a proteção da articulação a exercícios de baixo impacto, fortalecimento muscular e cuidado com o peso corporal. Mas existe um inimigo invisível e pouco conhecido que pode acelerar o desgaste da cartilagem do joelho. São os medicamentos condrotóxicos. Alguns medicamentos podem prejudicar a cartilagem do joelho. O médico ortopedista especialista em joelho deve conhecer esses fármacos e saber utilizá-los com segurança para evitar a degeneração precoce da cartilagem.
MEDICAMENTOS CONDROTÓXICOS PARA O JOELHO
Medicamentos condrotóxicos para o joelho são os medicamentos capazes de comprometer o ciclo de vida dos condrócitos do tecido cartilaginoso do joelho. A cartilagem hialina que reveste os ossos do joelho dentro da articulação é um tecido histológico muito delicado. Por não possuir vasos sanguíneos, a capacidade de regeneração da cartilagem é quase nula. Qualquer dano químico às células da cartilagem pode provocar danos permanentes e irreversíveis. Um medicamento é considerado condrotóxico quando interfere na homeostase da cartilagem. Os medicamentos condrotóxicos para o joelho podem atuar sobre a cartilagem de duas formas: matando diretamente os condrócitos ( apoptose ) ou inibindo a produção do colágeno e dos proteoglicanos que formam a matriz da cartilagem. Nos dois casos a consequência é a degeneração da cartilagem. Existem 7 medicamentos que demandam atenção redobrada porque podem comprometer a cartilagem do joelho: lidocaína, bupivacaína, dexametasona, ciprofloxacina, levofloxacina, indometacina e atorvastatina.
LIDOCAÍNA
A lidocaína é um anestésico local que possui potencial condrotóxico quando usada em doses elevadas ou por tempo de exposição prolongado. Ela afeta as mitocôndrias dos condrócitos, reduzindo a energia celular para a formação das fibras da matriz da cartilagem.
BUPIVACAÍNA
A bupivacaína é um anestésico local potente que possui efeito condrotóxico mais forte do que a lidocaína. É um dos fármacos mais tóxicos para a cartilagem do joelho. A exposição prolongada da cartilagem à bupivacaína provoca condrólise rápida, destruindo a cartilagem em pouco tempo pós-exposição. Ela deixou de ser usada no pós-operatório de artroscopias do joelho após estudos demonstrarem a sua condrotoxicidade.
DEXAMETASONA
A dexametasona é um corticóide muito utilizado no tratamento de diversas doenças, principalmente doenças reumáticas. Quando usada de forma sistêmica por tempo prolongado ou quando aplicada diretamente no joelho através de infiltrações articulares muito repetitivas, a dexametasona provoca a inibição da proliferação celular e enfraquece a matriz extracelular da cartilagem. O resultado final é uma cartilagem mais fina e fraca, suscetível a rachaduras.

CIPROFLOXACINA
A ciprofloxacina é um antibiótico do grupo das quinolonas. As fluoroquinolonas são antibióticos de amplo espectro que podem causar danos aos tecidos conectivos do corpo, entre eles a cartilagem. No joelho, a ciprofloxacina interfere no metabolismo do magnésio e do oxigênio nos condrócitos, podendo levar a lesões condrais agudas, especialmente em pacientes que mantêm atividades físicas de impacto durante o tratamento de antibioticoterapia.
LEVOFLOXACINA
Assim como a ciprofloxacina, a levofloxacina é um antibiótico do grupo das quinolonas. Ela possui efeitos condrotóxicos porque induz estresse oxidativo severo dentro da articulação, resultando em danos microestruturais na cartilagem que podem evoluir para uma lesão condral focal se o paciente não respeitar o repouso durante o tratamento com este antibiótico.
INDOMETACINA
A indometacioa é um anti-inflamatório não esteroidal ( AINE ) antigo e muito usado no passado para o tratamento de inflamações e dores. A indometacina tem efeito condrotóxico sobre a cartilagem do joelho porque inibe a síntese dos proteoglicanos da cartilagem. Os proteoglicanos são as fibras que retêm água na matriz condral. O uso crônico da indometacina pode desidratar a cartilagem do joelho, reduzindo a sua capacidade de absorver choques mecânicos.
ATORVASTATINA
A atorvastatina é um medicamento do grupo das estatinas. Estatinas são essenciais para o controle do colesterol, mas sua interferência na via do mevalonato afeta a produção das proteínas necessárias para a sobrevivência dos condrócitos. O risco mais conhecido da atorvastatina é a dor muscular, mas estudos recentes apontam que o medicamento também pode acelerar a degeneração da cartilagem do joelho em pacientes predispostos.
COMO PROTEGER O JOELHO DOS CONDROTÓXICOS?
Para proteger o joelho dos efeitos condrotóxicos dos medicamentos citados, o primeiro passo é saber que eles podem interferir no metabolismo da cartilagem. O uso consciente e orientado desses remédios, quando prescritos por médicos especialistas, costuma não apresentar problemas. Não há necessidade de interromper tratamentos com esses remédios. Os cuidados necessários são: evitar infiltrações excessivas e de altas doses de corticóides no joelho, evitar o tratamento com medicamentos condrotóxicos em pacientes com condromalácia ou artrose no joelho, suplementação de Coenzima Q10 para os usuários de estatinas e evitar a injeção de anestésicos locais dentro do joelho para alívio da dor no pós-operatório.