ARTRITE ENTEROPÁTICA NO JOELHO

ARTRITE ENTEROPÁTICA NO JOELHO

Artrite enteropática no joelho é a inflamação crônica da articulação desencadeada por doenças inflamatórias intestinais. Nem toda inflamação no joelho tem origem puramente mecânica ou degenerativa. Doenças como a Doença de Crohn e a retocolite ulcerativa, que são doenças inflamatórias do intestino, podem provocar uma resposta imunológica desregulada que afetam o trato digestivo e também as articulações. O joelho, por ser a maior articulação do corpo, é uma das juntas mais suscetíveis a esse processo inflamatório. Trata-se de uma condição médica pouco conhecida do público geral porque ninguém imagina que possa existir uma relação íntima entre o sistema digestivo e as articulações do corpo. O tratamento adequado da artrite enteropática no joelho é fundamental para evitar danos permanentes à cartilagem.

ARTRITE ENTEROPÁTICA NO JOELHO

Artrite enteropática no joelho é uma forma de artrite inflamatória crônica que se desenvolve nos joelhos de pacientes portadores de doenças inflamatórias intestinais como a Doença de Crohn e a retocolite ulcerativa. O termo enteropática refere-se exatamente à sua origem intestinal. Cerca de 20% dos pacientes diagnosticados com doenças inflamatórias intestinais apresentarão algum grau de comprometimento articular ao longo da vida. Embora a coluna vertebral seja o alvo mais comum, grandes articulações como o joelho também são locais frequentemente acometidos por episódios de dor, inchaço e calor local.

RELAÇÃO ENTRE INTESTINO E JOELHO

O mecanismo exato que conecta a inflamação intestinal à dor no joelho ainda é objeto de intensos estudos na imunologia moderna. A principal teoria baseia-se na permeabilidade intestinal aumentada – o popularmente conhecido “intestino permeável”. Segundo essa teoria, quando a parede interna do intestino está inflamada e danificada pelas doenças de Crohn ou retocolite ulcerativa, bactérias da microbiota intestinal e antígenos alimentares conseguem atravessar a barreira da mucosa com facilidade e chegar à circulação sanguínea. Essas moléculas estranhas no sangue ativam o sistema imunológico e desencadeiam uma resposta inflamatória sistêmica. Como certas proteínas do sistema imune reconhecem estruturas semelhantes presentes na membrana sinovial do joelho, ocorre um ataque cruzado que gera sinovite.

ARTRITE ENTEROPÁTICA JOELHO

SINTOMAS

A artrite enteropática no joelho pode se manifestar de duas formas clínicas distintas: artrite periférica e artrite axial. A artrite periférica, não-migratória e assimétrica, acomete as grandes articulações, com forte predileção pelos joelhos. O quadro clínico costuma ser agudo, caracterizado por dor intensa, inchaço, vermelhidão, calor local e limitação dos movimentos do joelho. Quando o intestino entra em remissão, os sintomas no joelho tendem a desaparecer. A artrite axial é diferente. Ela acomete a coluna vertebral e as articulações sacro-ilíacas, podendo coexistir com o envolvimento do joelho, gerando rigidez matinal e dor lombar crônica.

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico de artrite enteropática no joelho exige uma abordagem médica multidisciplinar entre ortopedista especialista em joelho, reumatologista e gastroenterologista. Muitas vezes os sintomas articulares surgem antes mesmo de o paciente apresentar dor abdominal e diarreia crônica, o que torna a investigação clínica mais complexa e o diagnóstico mais difícil. O diagnóstico é feito através de uma avaliação clínica detalhada, ressonância magnética do joelho e exames laboratoriais que devem incluir hemograma completo, marcadores inflamatórios sistêmicos ( VHS e PCR ) e pesquisa de marcadores genéticos específicos, como o HLA-B27.

TRATAMENTO

O tratamento da artrite enteropática no joelho não foca apenas na articulação isoladamente, mas na raiz do problema que é a inflamação gastrointestinal. A estratégia terapêutica envolve o uso de medicamentos anti-inflamatórios não esteroides ( devem ser usados com cautela extrema devido ao risco de irritar a mucosa intestinal ), corticosteroides de ação local e/ou sistêmica para crises agudas, e medicamentos modificadores do curso da doença. Nos últimos anos, os imunobiológicos revolucionaram o prognóstico desses pacientes. Fármacos inibidores do Fator de Necrose Tumoral ( anti-TFN ) controlam simultaneamente a inflamação agressiva no intestino e a dor incapacitante no joelho, devolvendo a mobilidade e prevenindo deformidades no joelho a longo prazo.